EXIT! CRISE E CRÍTICA DA SOCIEDADE DAS MERCADORIAS

THEORY IN PROGRESS

Robert Kurz

A HISTÓRIA COMO APORIA

Teses preliminares para a discussão em torno da historicidade das relações de fetiche

(1ª Série)

SINOPSE: 1. A abordagem da teoria da história para além do marxismo tradicional/ 2. A problemática do conceito de história como constructo moderno/ 3. Aporias solúveis e insolúveis/ 4. A crítica radical da modernidade não pode deixar de ter uma teoria da história/ 5. Dissociação e fetiche/ 6. Capitalismo e Religião/ 7. Sobre o conceito de relações de fetiche/ 8. Metafísica, transcendência e transcendentalidade/ 9. Da divisão de épocas ao relativismo da história/ 10. Alinhar com o processo de desmoronamento da filosofia burguesa da história?/ 11. Que significa pensar contra si mesmo?/ 12. A dialéctica da teoria da história em Adorno/ 13. Crítica do conhecimento da teoria da dissociação e crítica do conceito de história/ 14. Teoria negativa da história e programa de desontologização/ 15. Um novo conceito de unidade entre continuidade e descontinuidade/ 16. Conceitos afirmativos da reprodução e conceitos histórico-críticos da reflexão/ 17. Ruptura ontológica e "superavit crítico [kritischer Überschuss]"/ 18. Insuficiências e conteúdos de ideologia alemã, reaccionários, da hermenêutica da história/ 19. Fossilização ontológica como vingança da dialéctica/ 20. Consequências possíveis: gesto neo-existencialista, decisionismo, reformismo neo-verde.

Nota prévia: No âmbito da Exit! formou-se no Outono de 2005 um grupo de trabalho de teoria da história, do qual saíram o artigo de Gerold Wallner "As gentes da história" (EXIT! 3), bem como mais textos, quer desse autor, quer de Jörg Ulrich, para a rubrica da homepage "theory in progress". As teses e abordagens teóricas aí contidas suscitaram a crítica no nosso círculo. Inicialmente estava planeado conduzir e para o efeito documentar uma discussão controversa no espaço da EXIT!. Entretanto, ainda antes de ter sido possível dar início a um debate mais profundo sobre a matéria, Wallner, Ulrich e outros preferiram (mais por razões pessoais e de formalismo associativo) constituir-se como um grupo fora da EXIT!. Esse grupo terá que revelar-se na sua autonomia e capacidade teóricas. Independentemente disso, há que tratar a dissenção, tanto mais que a posição a criticar já saiu para o exterior, para o nosso público da EXIT!, e não pode ficar sem resposta. O texto aqui apresentado é a primeira parte de uma série de cerca de cinco, que serão publicadas com certo intervalo até ao início do próximo ano, e nos quais será formulada a crítica, tal como serão realçadas as implicações teóricas e as referências ideológicas não credenciadas. Uma vez que já não se trata de fala e contra-fala num círculo comum, mas de uma crítica a posições teóricas externalizadas, o modus da discussão alterou-se compreensivelmente, assumindo um carácter mais definitivo.

A História como Aporia (1ª Série) - (Robert Kurz; Agosto de 2006) Deutsch

(2ª Série)

SINOPSE: 1. A abordagem da teoria da história para além do marxismo tradicional/ 2. A problemática do conceito de história como constructo moderno/ 3. Aporias solúveis e insolúveis/ 4. A crítica radical da modernidade não pode deixar de ter uma teoria da história/ 5. Dissociação e fetiche/ 6. Capitalismo e Religião/ 7. Sobre o conceito de relações de fetiche/ 8. Metafísica, transcendência e transcendentalidade/ 9. Da divisão de épocas ao relativismo da história/ 10.Alinhar com o processo de desmoronamento da filosofia burguesa da história?/ 11. Que significa pensar contra si mesmo?/ 12. A dialéctica da teoria da história em Adorno/ 13. Crítica do conhecimento da teoria da dissociação e crítica do conceito de história/ 14. Teoria negativa da história e programa de desontologização/ 15. Um novo conceito de unidade entre continuidade e descontinuidade/ 16. Conceitos afirmativos da reprodução e conceitos histórico-críticos da reflexão/ 17. Ruptura ontológica e "superavit crítico [kritischer Überschuss]"/ 18. Insuficiências e conteúdos de ideologia alemã, reaccionários, da hermenêutica da história/ 19. Fossilização ontológica como vingança da dialéctica/ 20. Consequências possíveis: pose neo-existencialista, decisionismo, reformismo neo-verde.

A História como Aporia (2ª Série) - Robert Kurz; Setembro de 2006 Deutsch

(3ª Série)

SINOPSE: 1. A abordagem da teoria da história para além do marxismo tradicional/ 2. A problemática do conceito de história como constructo moderno/ 3. Aporias solúveis e insolúveis/ 4. A crítica radical da modernidade não pode deixar de ter uma teoria da história/ 5. Dissociação e fetiche/ 6. Capitalismo e Religião/ 7. Sobre o conceito de relações de fetiche/ 8. Metafísica, transcendência e transcendentalidade/ 9. Da divisão de épocas ao relativismo da história/ 10. Alinhar com o processo de desmoronamento da filosofia burguesa da história?/ 11. Que significa pensar contra si mesmo?/ 12. A dialéctica da teoria da história em Adorno/ 13. Crítica do conhecimento da teoria da dissociação e crítica do conceito de história/ 14. Teoria negativa da história e programa de desontologização/ 15. Um novo conceito de unidade entre continuidade e descontinuidade/ 16. Conceitos afirmativos da reprodução e conceitos histórico-críticos da reflexão/ 17. Ruptura ontológica e “superavit crítico [kritischer Uberschuss]”/ 18. Insuficiências e conteúdos de ideologia alemã, reaccionários, da hermenêutica da história/ 19. Fossilização ontológica como vingança da dialéctica/ 20. Consequências possíveis: pose neo-existencialista, decisionismo, reformismo neo-verde.

  A História como aporia (3ª série) - (Robert Kurz; Maio de 2007) Deutsch

O DESVALOR DO DESCONHECIMENTO

“Crítica do valor” truncada como ideologia de legitimação de uma nova pequena-burguesia digital

O Desvalor do Desconhecimento - (Robert Kurz; Maio 2008) Deutsch

Roswitha Scholz

O ser-se supérfluo e a "angústia da Classe média"

O fenómeno da exclusão e a estratificação social no capitalismo

1. Introdução: "Situação de classe", exclusão específica de uma classe, ou desclassificação generalizada? Eis a questão, hoje! 2. O fenómeno do ser-se supérfluo no capitalismo até ao fim do século XIX – breve esboço 3. A "sociedade de classe média nivelada" 4. Individualização para lá da classe e da camada? 5. A destruição da "nova classe média" e os "novos independentes" precários 6. O fetiche da luta de classes 7. Luta sem classes? 8. O último estádio da classe média 9. A sociedade da classe média e o género 10. A sociedade da classe média e a migração 11. A exclusão como problema fundamental do capitalismo. 12. Algumas observações sobre o debate das ciências sociais em torno da exclusão social e da "vulnerabilidade social" nas classes médias 13. A socialização de classe média, a exclusão e a forma social da dissociação-valor.

O Ser-se Supérfluo e a "Angústia da Classe Média"  - (Roswitha Scholz; Exit! nº5 Maio de 2008 Deutsch

Roswitha Scholz

A Teoria da Dissociação Sexual e a Teoria Crítica de Adorno

Nos anos 90 o feminismo académico foi dominado por teorias pós-estruturalistas. Ao contrário dos anos 70 e 80, as abordagens marxistas foram marginalizadas. Em vez de se buscar uma nova compreensão da totalidade, que estivesse em condições de explicar desenvolvimentos recentes, como a queda do socialismo real, houve uma viragem para concepções culturalistas. Entretanto a situação mudou novamente. Com o maior agravamento da situação económica e a crescente importância assumida pela “questão social”, regressou também o interesse acrescido pela crítica da “economia política”. Mas, com isso, o sexismo, assim como o racismo, correm o risco de ser reduzidos de novo a “contradições secundárias”.

A Teoria da Dissociação Sexual e a Teoria Crítica de Adorno - (Roswitha Scholz; Agosto de 2004 Deutsch

Robert Kurz

CINZENTA É A ÁRVORE DOURADA DA VIDA E VERDE É A TEORIA

Cinzenta é a Arvore Dourada da Vida e Verde é a Teoria - (Robert Kurz; EXIT! nº 4 Junho de 2007) Deutsch

Roswitha Scholz

Homo Sacer e "Os Ciganos"

O Anticiganismo – Reflexões sobre uma variante essencial e por isso "esquecida" do racismo moderno

1. Introdução: Anticiganismo – o racismo "esquecido"

O interesse pelo anticiganismo, isto é, pelo racismo específico contra os Sinti e os Roma, é marginal mesmo entre a esquerda. Alguns nem sequer sabem o que significa "anticiganismo". Wolfgang Wippermann escreve sobre o assunto: "Os meus colegas, professores e historiadores, não se debruçaram sobre os Sinti e os Roma por isso ter sido e continuar a ser considerado pouco elegante. Também a inteligência crítica falhou, pois demorou muito tempo até se dedicar a este aspecto da história alemã. O mesmo se aplica aos agrupamentos de esquerda aos quais o destino dos Sinti e Roma até hoje não tem suscitado muito interesse" (Wippermann, 1999, p. 106). E o mesmo se diga, infelizmente, dos contextos da crítica do valor. Como se a construção moderna do "cigano", enquanto avesso ao trabalho, sensual, "wild and free", não fosse de interesse precisamente para uma posição crítica do valor e do trabalho. Esquece-se que as próprias necessidades reprimidas não foram projectadas apenas sobre "exóticos", "negros" e "selvagens", algures em África ou nas Caraíbas, mas que "eles" já desde há séculos que se encontram bem juntinhos, por assim dizer no meio de nós: os "ciganos", como parte inseparável da própria cultura moderna e ocidental.

Homo Sacer e "Os Ciganos"  - (Roswitha Scholz; Exit! nº4 Junho de 2007 Deutsch

Robert Kurz

DON’T TREAT EVERY "THING" ALIKE!

Algumas notas provisórias sobre os papéis de J. Ulrich, C-P. Ortlieb e Blaha/Wallner.

Roswitha Scholz

1. A meu ver, Comte é a consequência de Kant: Pensa-o até ao fim, ao suspender em definitivo a "coisa em si", em Kant ainda inderrogável. Apesar disso, também o próprio Kant tinha face aos "povos subdesenvolvidos" concepções hierarquizadas pelo desenvolvimento. Na perspectiva de Comte, Kant é infantilizado, ou pelo menos implicitamente feminilizado, por assim dizer vestido com roupa de mulher, por estar em certo sentido ainda apegado à teologia e colocar ainda questões sobre os objectos ou sobre a possibilidade do seu conhecimento e estudo em geral. De repente, a velha e sobranceira metafísica ainda é assim transformada em mulher.

Tais modos de proceder fazem parte eles próprios perfeitamente do repertório do valor-dissociação, com as suas características alterações de significado; no âmbito da luta da concorrência, o adversário é feminilizado à força. É precisamente isso que aponta o valor-dissociação como princípio da forma social. Enunciados semelhantes também se encontram por exemplo em iluministas alemães, quando se opina por exemplo que os franceses são mais parecidos com as mulheres (talvez por estarem muito simplesmente apegados de imediato ao pensamento positivista, ao contrário do espírito de grande especulação!), ou quando no nacional-socialismo se considerava os intelectuais mimados e efeminados, por contraposição ao homem másculo e marcial. Aqui se apresenta o valor-dissociação como princípio fundamental, revelando o seu carácter relacional e flexível, pois tais atribuições servem para definir o adversário como inferior, de resto num perfeito arranjo de associação masculina.

DON`T TREAT EVERY "THING" ALIKE! - (Roswitha Scholz; Maio 2005) Deutsch

A Substância do Capital

O trabalho abstracto como metafísica real social e o limite interno absoluto da valorização.

Primeira parte: A qualidade histórico-social negativa da abstracção "trabalho".

O Absoluto [Absolutheit] e a relatividade na História. Para a crítica da redução fenomenológica da teoria social - O conceito filosófico de substância e a metafísica real capitalista - O conceito negativo de substância do trabalho abstracto na crítica da economia política de Marx - O conceito positivo do trabalho abstracto na ontologia do trabalho marxista - Para a crítica do conceito de trabalho em Moishe Postone - O trabalho abstracto e o valor como apriori social - O que é abstracto e real no trabalho abstracto? - O tempo histórico concreto do capitalismo

A Substância do Capital (primeira parte) - (Robert Kurz; EXIT! nº1 Agosto 2004) Deutsch

Segunda parte: O fracasso das teorias da crise do marxismo da ontologia do trabalho e as barreiras ideológicas contra a continuação do desenvolvimento da crítica radical do capitalismo.

"Teoria do colapso" como palavra de toque e conceito de falsificação da história da teoria marxista - Teorias do colapso reduzidas como posição minoritária marxista na época da guerra mundial I: Rosa Luxemburgo - Teorias do colapso reduzidas como posição minoritária marxista na época da guerra mundial II: Henryk Grossmann - Da diabolização de Grossmann ao atrofiar do debate marxista da crise e do colapso - Sujeito e objecto na teoria da crise. A solução aparente do problema em meras relações de vontade e de forças - A crise e a crítica, a ilusão política e a relação de dissociação sexual - O conceito de quantidade de trabalho abstracto e a acusação de "naturalismo"

A Substância do Capital (segunda parte) - (Robert Kurz; EXIT! nº2 Março 2005) Deutsch

Razão Sangrenta

Ensaios sobre a crítica emancipatória da modernidade capitalista e seus valores ocidentais

A partir do 11 de Setembro, os ideólogos da "economia de mercado e democracia" vêm invocando as suas raízes na filosofia do iluminismo, mais vaidosos que nunca; no ano de Kant, em 2004, o Ocidente festeja junto com o pensador da razão burguesa o seu domínio mundial.

Esquecidos estão "A dialéctica do iluminismo" (Adorno/Horkheimer) e a crítica do eurocentrismo: até partes da esquerda se agarram a uma pretensa "promessa de felicidade burguesa", enquanto a globalização do capital devasta o planeta. Robert Kurz, conhecido pela sua análise crítica da economia moderna e da respectiva história ("O colapso da modernização", "O livro negro do capitalismo") faz agora o processo dos "valores ocidentais", contra a corrente intelectual dominante e para lá da crítica do iluminismo até agora surgida. Em ensaios teóricos polémicos abre-se uma nova crítica radical da moderna forma do sujeito (acentuadamente "masculina") - não para render homenagem a um Romantismo reaccionário, mas para mostrar que o iluminismo burguês e o contra-iluminismo burguês são as duas faces da mesma moeda. O objectivo é uma "anti-modernidade emancipatória" que se oponha às falsas alternativas no plano do sistema produtor de mercadorias.

Razão Sangrenta - Novo Livro de Robert Kurz; Agosto de 2004 Deutsch

TABULA RASA

Até onde é desejável, obrigatório ou lícito que vá a crítica ao Iluminismo?

A crítica da dissociação, a crítica do sujeito e a crítica do Iluminismo constituem uma unidade indivisível, não sendo qualquer destes momentos possível sem qualquer dos outros. É de um modo correspondente, que prescinda de simplificações abusivas, que a crítica tem de proceder se quiser concluir o novo paradigma crítico do valor e da dissociação – o que não equivale à conclusão da elaboração teórica em termos gerais, mas unicamente à conclusão preliminar da "destruição criadora" do velho paradigma. Podem e devem existir, sem dúvida, diversas posições, acentuações e aspectos no contexto da teoria crítica do valor e da dissociação; mas não podem existir lado a lado, em uma aleatoriedade quase que pós-moderna, sendo irremediavelmente opostas umas às outras, tendo antes de ser mutuamente compatíveis a um nível fundamental, o que também significa terem de comportar um carácter vinculativo comum.

Uma coexistência pacífica com o modus dissociativo "masculino" da elaboração teórica está excluída. Assim sendo, para a forma do sujeito moderna, capitalista e "ocidental", que de qualquer modo já apenas existe nas respectivas formas de decadência, não deve crescer nada que a salve se for para a emancipação da relação de coacção destruidora do mundo, que é a socialização do valor, constituir uma opção séria. Provavelmente isto até nem suscita controvérsia; mas nesse caso a crítica do sujeito não deveria ser apenas mantida coerente, mas também deveria ser cautelosamente delimitada em termos conceptuais, face a outras questões que dizem respeito a conquistas culturais da Humanidade de um modo geral. Há que fazer tábua rasa com a forma do sujeito capitalista e ocidental e com a vinculação a uma forma de fetiche em termos gerais, mas, lá por isso, não com tudo e qualquer coisa que a Humanidade tenha produzido até à data apesar da sua vinculação fetichista e através da mesma.

Tabula Rasa - (Robert Kurz; Krisis 27 - Novembro 2003)

ONTOLOGIA NEGATIVA

Os obscurantistas do Iluminismo e a metafísica histórica da Modernidade

Robert Kurz

A libertação tem de ser repensada. Após o fim do marxismo e do socialismo do movimento operário, não resta dúvida de que quanto a este postulado abstracto existe um consenso entre a maioria das teóricas e dos teóricos de esquerda que ainda continuem a querer sê-lo. No entanto, mal se trate de definir o novo, que é o que se supõe estar em causa, este não se revela apenas regularmente como o velho em traje novo, mas, antes de mais, como o mais vetusto de entre o velho; nomeadamente, como recaída para o que antecede o marxismo, para o seio da Filosofia iluminista burguesa, em vez de uma tentativa de ir para além do marxismo.

É certo que já o marxismo do movimento operário em todas as suas variantes, devido à sua forma do sujeito e do interesse, estritamente associada ao moderno sistema produtor de mercadorias, se manteve apegado ao pensamento burguês do Iluminismo; no entanto, ao mesmo tempo, ele não deixou de o criticar como sendo burguês, mesmo que fosse apenas de um modo restrito ao prisma da sociologia de classes, sem se aproximar de uma crítica categorial da Modernidade. Adorno, com a sua teoria transitória, até chegou, por momentos que fosse, a ir para além desta limitação abandonando o quadro de referência sociológico ("classista") e criticando o carácter do Iluminismo no que diz respeito à sua lógica identitária e autodestrutividade sem, contudo, conseguir levar esta crítica até ao fim. É precisamente o mesmo que tem de ser feito agora, mas é precisamente a esta tarefa que toda a gente recusa sujeitar-se. Venham da estrebaria de esquerda que vierem, os que até à data foram os portadores da crítica de renome recuam perante este problema-obstáculo como cavalos que tomaram os freios nos dentes.

E, no seu pânico cavalar, todos eles galopam de volta ao século XVIII, como se nem sequer tivesse existido a redutora crítica marxista do pensamento iluminista. Numa azáfama febril debitam-se as frases feitas mais decrépitas da constituição capitalista, como se fossem as mais recentes descobertas empolgantes da crítica radical do capitalismo. Há algo de lúgubre na forma como os resquícios da inteligentsia de esquerda competem com os arautos do capitalismo de linha dura, para saber quem consegue apregoar mais alto os tópicos essenciais da ideologia do Iluminismo, que já há muito tempo se tornaram insípidos e absurdos. Em que poderá ainda consistir o debate se dos dois lados se ouvem as mesmas palavras de ordem? Pelos vistos já não se trata de nada de fundamental, mesmo que a crise mundial do sistema produtor de mercadorias se encontre, ao mesmo tempo, em plena efervescência e com tendência a alastrar...

Ontologia Negativa - (Robert Kurz; Krisis 26 - Janeiro de 2003)

Razão Sangrenta

20 Teses contra o chamado Iluminismo e os "Valores Ocidentais"

Robert Kurz

A crítica, no entanto, não pode deixar guiar-se pela raiva que sente nas entranhas; ela tem de alicerçar a sua legitimidade intelectual sobre fundamentos inteiramente novos. Mesmo que ela maneje conceitos teóricos, tal não significa uma renovada vinculação aos padrões do próprio Iluminismo, deduzindo-se, pelo contrário, unicamente da necessidade de destruir a autolegitimação intelectual do Iluminismo. Não se trata de, à velha maneira iluminista, manietar os afectos em nome de uma racionalidade abstracta e repressiva (ou seja, ao arrepio do bem-estar dos indivíduos) mas, pelo contrário, de derrubar a legitimação intelectual desta autodomesticação moderna do Homem. Para tal é necessária uma Anti-modernidade radical e emancipatória que não se refugie, segundo o exemplo por demais conhecido do anti-Iluminismo ou da Anti-modernidade meramente "reaccionária", ela própria burguesa e ocidental, na idealização de um qualquer passado ou de "outras culturas", rompendo, antes pelo contrário, com a História convencional até à data, concebida como uma História de relações de fetiche e de dominação.

Razão Sangrenta - (Robert Kurz; Krisis 25 - Junho de 2002) Deutsch Español

Sobre o conceito de valor e de valor-dissociação

Roswitha Scholz

Para melhor explicar o significado de "valor-dissociação", é preciso esclarecer primeiro o conceito androcêntrico de valor, no sentido da "crítica fundamental do valor", que assumo criticamente como ponto de partida. Em geral, o conceito de valor é tomado positivamente, seja no marxismo tradicional, no feminismo ou na economia política, onde ele aparece simplesmente na forma dos preços, como objecto da sociedade humana, sem pressupostos e suprahistórico. Não assim na "crítica fundamental do valor". Aqui o valor é compreendido e criticado como expressão duma relação social fetichista. Sob as condições da produção de mercadorias para mercados anónimos, os membros da sociedade não utilizam os seus recursos de comum acordo, para a conveniente reprodução da sua vida, mas, isolados entre si, produzem mercadorias, que só se tornam produtos sociais através da troca no mercado. As mercadorias são "valor" porque "representam" "trabalho abstracto" (dispêndio de energia social humana abstracta), ou seja, elas representam uma determinada quantidade de energia social despendida. Esta representação exprime-se por sua vez num meio particular, o dinheiro, que é a forma geral do valor para todo o universo das mercadorias.

Sobre o conceito de valor e de valor-dissociação - (Roswitha Scholz; Janeiro 2000) Deustch

DOMINAÇÃO SEM SUJEITO

SOBRE A SUPERAÇÃO DE UMA CRÍTICA SOCIAL REDUTORA

Dominação sem sujeito - (Robert Kurz; Krisis 13 - 1993) Deutsch Español

O valor é o homem

Teses sobre a socialização pelo valor e a relação entre sexos

O valor é o homem - (Roswitha Scholz; 1992) Deutsch

http://obeco.planetaclix.pt/

http://www.exit-online.org/