EDITORIAL DA REVISTA EXIT! N.º 5

(Publicação Abril 2008)

 

É-nos mais fácil imaginar o fim do mundo, a destruição do ecossistema da Terra ou o suicídio colectivo da Humanidade do que a suplantação do patriarcado produtor de mercadorias. Para os sujeitos a ele agarrados e por ele constituídos, qualquer alternativa está em contradição com as leis da natureza, coisa que não se pode dizer com a mesma facilidade de uma terra inabitável (perfeitamente realizável com os meios da técnica moderna); afinal, quanto a esta última possibilidade, estamos muito bem encaminhados.

Correspondentemente também tiveram que sair escassos os resultados da Conferência do Clima em Bali, apostrofada pelos media como “Conferência para a Salvação do Mundo”, que acabou em desilusão geral. A salvação do mundo foi mais uma vez adiada, a esperança reside agora na conferência de seguimento em Copenhaga em 2009. Como responsáveis pelo fracasso provisório constaram uma vez mais os Estados Unidos ou, no mínimo, a falta de perspicácia do actual governo americano, sendo que aqueles que os chamaram claramente pelo nome, como o Nobel da Paz Al Gore ou o ministro alemão do ambiente Sigmar Gabriel, puderam alcandorar-se a estrelas da conferência. Ora a delegação americana só se tinha oposto à fixação de limites máximos para as emissões de CO2, porque estes poderiam ser prejudiciais para a competitividade da economia americana, ponto de vista esse que poucos dias depois já não seria assim tão estranho aos alunos exemplares alemães:

Quando, uma semana depois da Conferência de Bali, em plena consonância com a posição europeia aí assumida, a Comissão Europeia exigiu um imposto, a partir do ano de 2012, para as limusinas com emissões de CO2 superiores a 130 gramas por quilómetro, o ministro alemão do ambiente apenas foi capaz de vislumbrar na proposta uma “guerra concorrencial contra a indústria automóvel alemã” e a Chancelerina Federal falou de uma “política industrial às expensas da Alemanha”. O facto de ela, contrariamente ao seu ministro, ter festejado a conferência de Bali como um sucesso, mais uma vez a revelou, em retrospectiva, como a mais habilidosa, visto que no seu caso a contradição parecia menos gritante. E ambos não se enganaram por completo quanto à avaliação das medidas tomadas no seio da Europa: Por exemplo o facto do governo francês planear impostos especiais para veículos motorizados com emissões de CO2 superiores a 160 gramas por quilómetro não só é bom para o clima, mas também cumpre a função de uma espécie de barreira alfandegária protectora da indústria automóvel francesa. Aqui, como em todo o lado, a protecção do clima é uma mera função da concorrência capitalista: Se se puder ganhar dinheiro com ela, é bem-vinda; no caso contrário, tem de esperar, custe a quem custar.

Mesmo os críticos um pouco mais radicais da política de defesa do clima não podem, pelos vistos, deixar de encarar a consecução da valorização do valor como pressuposto de qualquer política, como aconteceu por exemplo quando o porta-voz da Attac, Sven Giegold, antes da cimeira do G-8 em Heilligendamm, adoçou o objectivo por ele e outros considerado necessário de reduzir as emissões de CO2 em 80% até 2050, com a perspectiva de que o mesmo traria consigo “muitas oportunidades para novos empregos e desenvolvimento social” (TAZ de 19.03.07). Com esta figura argumentativa entretanto tornada comum joga-se evidentemente a vantagem tecnológica que os construtores alemães possam ter face aos seus concorrentes na produção de energias renováveis. Só que, quem assim pressupõe, sem os questionar, os critérios da produção capitalista, tem de aceitar então que a concorrência por sua vez aposte nas suas vantagens específicas e desde logo pretenda esgotar as jazidas de petróleo, gás e carvão de que no seu caso dependam o sucesso económico e os postos de trabalho.

Enquanto as categorias comuns do trabalho abstracto, da valorização do valor e da concorrência capitalista continuarem a ser declaradas conditio humana, qualidade da natureza humana, elas também não podem ser apreendidas como as verdadeiras causas dos problemas climáticos que se avizinham. Acresce que as bases da vida, cuja destruição ameaça ocorrer no decurso do presente século, são de facto pressupostos para toda a actividade económica, mas em grande parte caem pela grelha de percepção económica e política, uma vez que, nas atribuições ideológicas, elas já desde o início da idade moderna pertencem ao domínio “feminino” dissociado (mulher = natureza). Afinal não é de modo algum por acaso que a discussão pública do clima apenas tenha ganho algum momento quando o ex-economista chefe do Banco Mundial, Nicolas Stern, no final de 2006, contabilizou em dólares os custos das mudanças climáticas. O facto de, neste processo, milhares de milhões de seres humanos ficarem igualmente prejudicados continua a ser secundário. As mulheres dos escombros da segunda metade do presente século cá estarão de novo para endireitarem as coisas.

 

Até lá ainda falta algum tempo e, por isso, em finais de 2007, outros temas dominaram a discussão pública alemã: “A falha da justiça. A Alemanha entre o salário mínimo e os rendimentos de topo” logrou honras de capa na SPIEGEL de 17.12.2007. Até os neoliberais de linha dura já se deram conta de que o rendimento líquido real em média estagnou entre 2000 e 2006, que o rendimento dos 10% da população mais pobres baixou cerca de 20% e o rendimento dos 10% mais ricos pelo contrário subiu cerca de 20%, e que isso poderia constituir um problema. Problema que é visto não tanto na diferença de rendimentos em si, pois afinal o “leque salarial alargado” (é essa a penetrante mensagem do IFO-Institut e do seu famigerado presidente) seria bom para a economia, e portanto para todos nós, e mais no facto de que a moral do trabalho possivelmente sairia prejudicada se deixasse de ser perceptível o nexo entre o rendimento e o trabalho prestado para o gerar.

O fervoroso debate em torno dos elevados proventos dos gestores alemães que em Dezembro de 2007 bateu o seu pleno nem tão-pouco poderia ser conduzido sob um ponto de vista estritamente económico, pois se distribuíssemos um rendimento anual mesmo de 60 milhões de euros pelo povo alemão, o ganho não chegaria a um euro por pessoa. Assim, a raiva dirige-se menos contra o gestor de sucesso do que contra aqueles que por falta de sucesso são despedidos, mas ainda assim na pior das hipóteses se vêem confrontados com a triste sina de terem de viver sem trabalho das suas chorudas indemnizações, pensões e participações accionistas. Nesta nossa revista, não é particularmente necessário salientar que no caso se trata de um ideologema anti-semita, a operar com personificações das contradições sociais, ideologema que constrói um “capital rapinante” (ao contrário de um bom “capital produtivo”) e com o qual aqui se avança na caça ao voto.

A reacção dos gestores alemães, de modo nenhum indefesos, não se fez esperar e situou-se ao mesmo nível. Rapidamente foi acentuado que eles pertencem claramente à fracção do “capital produtivo”: “Esclareçamos colectivamente quem na Alemanha consegue o bem-estar e o crescimento: as muitas empresas de excelência, com as suas colaboradoras e colaboradores altamente qualificados”, foram estas as palavras de Jürgen Thumann, presidente da associação federal da indústria alemã, numa carta a 15.000 gestores (Spiegel-online, 22.12.2007). Pelo contrário, como já antes se fazia ouvir, haveria outros a ganhar mais (os gestores americanos) ou que receberiam uma retribuição equivalente sem prestarem uma contribuição correspondente para o bem-estar e para o crescimento (os desportistas e seus empresários).

Este pretexto para se atirar a uma nova vítima não pôde evidentemente passar em claro. A correspondente tentativa apresentada, na ante-véspera de Natal, pelo presidente do parlamento, Norbert Lammert, numa entrevista dada à edição de domingo do tablóide BILD, saiu lamentável: “Quando o clube de futebol alemão mais abastado compra um jovem brasileiro por 14 milhões de euros e lhe garante um rendimento que a maior parte dos pais de família não conseguiria obter em anos de trabalho árduo, estamos perante uma perda de referências”, deu-se a ouvir (Spiegel-online 23.12.07) para logo a seguir conceder que ao falar em “pais de família” pensava sobretudo nos seus pares. Em todo o caso, escassas frases depois, ele apressou-se em estabelecer o contexto de que os políticos ganhariam pouco em comparação com outras actividades. Se “se pretende ganhar os melhores para a política, o pagamento não se pode afastar muito dos outros standards”. (ibidem) Foi obviamente um auto-golo, pois há muito tempo que constitui um lugar comum entre as tertúlias de cervejaria dos leitores do BILD que não são “os melhores” que vão para a política, mas apenas aqueles que não têm talento para jogar futebol.

A “falha da justiça” parece de algum modo criar problemas morais a certos dos que “ganham mais”, mas o seu discurso continuado sobre o tema poderia ser resumido nesta frase singela: Todos ganham demais, só o meu grupo profissional talvez ganhe de menos, tendo em conta o seu significado para o bem-estar geral. Poderia ficar-se com a impressão de que o que está em causa são os últimos bocados substanciais do saque, antes de se instalar a penúria geral. Perante este discurso nauseabundo, que se baseia na denúncia mútua e no apregoar da própria máscara de carácter, da nossa parte limitamo-nos a desejar que os protagonistas pura e simplesmente calassem a boca, seguissem essa ideologia tão genuinamente sua e deixassem o mercado decidir. Falta apenas referir que a liga alemã de futebol, na sua infinita sabedoria, se absteve de qualquer comentário.

Este debate torna-se particularmente repugnante se for visto sobre o pano de fundo dos verdadeiros problemas no outro extremo do leque salarial. Entre 2000 e 2006 a proporção dos cidadãos da RFA considerados pobres aumentou em mais de metade, passando de 12% para acima de 18%. O argumento banalizador que se apresenta com alguma predilecção, de que se trataria apenas de uma pobreza relativa, não colhe aqui, porque os rendimentos reais médios a que se referem os indicadores de pobreza não se alteraram nesse espaço de tempo. Acresce que nem sequer é tido em conta nestes números o facto de a taxa de inflação, que no ano de 2007 pela primeira vez voltou a ultrapassar os 3%, ser nitidamente superior nos preços das mercadorias para satisfação das necessidades básicas (alimentação, aquecimento etc.), os quais atingem os pobres muito mais duramente que a média.

Entende-se por si que este desenvolvimento atinge muito mais as mulheres do que os homens e, por isso, já quase não merece ser referido. Pelo contrário, o aumento da pobreza infantil recebeu alguma atenção mediática. Ela ameaça entretanto a funcionalidade do sistema de ensino, que em parte passou a ser pago: em muitas kitas (centros de tempos livres para crianças - NT) ou escolas de dia inteiro desenrolam-se dramas todos os dias ao meio-dia, quando um terço das crianças tem de ficar a ver os outros a comer, porque os pais, ou mães solteiras, não conseguem pagar os 2 euros da senha de almoço. Os cofres públicos é que já não parecem ter margem de manobra para simplesmente renunciarem a esse dinheiro.

No âmbito do processamento da contradição capitalista desencadeou-se entretanto um contra-movimento: tornou-se necessário um salário mínimo fixado por lei, se se quiser que os assalariados possam de facto viver dos seus salários. Três quartos dos cidadãos alemães já concordam com esta reivindicação e o SPD quer disputar as próximas eleições com ela. Por muito necessária que seja, ela comporta, ao mesmo tempo, um momento de exclusão: como é óbvio, ninguém pensa nos desempregados. A indignação visa antes o facto de alguém, por uma semana de frequentemente mais de 40 horas de um trabalho árduo, receber tão-só o mesmo que um beneficiário de Hartz-IV. Apesar dessas motivações em parte pouco decorosas, é de apoiar a instituição de um salário mínimo na base do que é comum na Europa Ocidental, até porque no caso contrário existe o perigo de que a diferença entre salários e subsídios de desemprego, reivindicada pelo sadio sentir popular, seja conseguida com recurso à redução destes últimos. Acresce que um semelhante salário mínimo poderia livrar os desempregados isolados dos desaforos correntes dos serviços de desemprego, no sentido de terem de aceitar qualquer trabalho com qualquer salário de miséria, constituindo assim uma certa protecção contra a coacção ao trabalho. E só será de saudar que com isso desapareçam postos de trabalho no sector dos salários de miséria.

O que se seguiu à decisão do parlamento federal alemão que instituiu um salário mínimo para os carteiros demonstra de resto a extensão já atingida não só pela pobreza, mas também pela crise da acumulação de capital: os modelos de negócio dos concorrentes dos correios assentam pelos vistos em salários de fome, sem criar trabalho suplementar, ou será que alguém acredita que o número de cartas enviadas suba 50% que sejam se os carteiros forem três vezes mais? Tal traduzir-se-ia ou na deslocalização de postos de trabalho dos correios para o sector de baixos salários, ou em um número superior de carteiros para distribuir o mesmo número de cartas, o que desde já não faz sentido sob o ponto de vista da eficiência economico-empresarial: quando agora aparece três vezes por dia um carteiro a entregar uma carta, como já tem acontecido, uma pessoa pergunta por que não trabalham os três em conjunto e não fazem a distribuição no mesmo giro. Faz lembrar o caso do fogueiro nas locomotivas eléctricas, outrora conseguido pelos sindicatos britânicos nas negociações da contratação colectiva no intuito de salvar postos de trabalho, antes da chegada da Thatcher. Chama-se a isto trabalho improdutivo. De qualquer maneira aqui não se cria qualquer mais-valia adicional, nem é já isso que está em causa. Trata-se, sim, de desviar para os próprios bolsos uma quota adicional da massa de mais-valia em contracção, à custa dos concorrentes e através de salários combinados até com subsídios estatais.

 

Foi privilégio do ZEIT (2008, nº 3, p. 6-7), com o seu equilíbrio abrangente, colocar, sob o título “Campanha eleitoral com o medo”, a exigência de um salário mínimo no mesmo plano com a campanha racista contra os jovens criminosos “estrangeiros” desencadeada pelo primeiro ministro do Hesse, Roland Koch, e reforçada pelo BILD. É sabido que em tempos de campanha eleitoral tudo é campanha eleitoral, mas como há que designar tal equiparação, com que o ZEIT aparentemente procura denunciar um conteúdo através de outro de cariz infame?

Estes jovens são todos pessoas nascidas na Alemanha e que aqui percorreram toda a sua socialização conducente à criminalidade. O sistema escolar alemão, ajeitado para a selecção precoce e prejudicando de modo particular as crianças com “antecedentes migratórios”, demonstrou-lhes por escrito logo aos onze anos que nesta vida já não serão necessários, pertencendo antes ao lote dos supérfluos regularmente produzidos pelo capitalismo (cf. o aporte de Roswitha Scholz neste número da EXIT!). Depois admiram-se hipocritamente das possíveis consequências, que talvez não sejam assim tão indesejadas, já que agora atestam também em termos empíricos a superioridade civilizatória da “cultura dominante alemã”.

No entanto não há qualquer razão para romantizar os rejeitados pela sociedade. Não se pode falar de resistência contra as impertinências que lhes são impostas, nem tal faria sentido, já que esta foi quebrada antes de sequer poder surgir. Com os meios que lhes restam limitam-se a invocar as virtudes burguesas que lhes foram inculcadas: interesse pessoal, capacidade de imposição, masculinidade. Nos seus actos de violência revela-se o abandalhamento entretanto atingido pelo sujeito masculino da concorrência, tal como ele é representado por outro lado e conforme as suas possibilidades por Roland Koch. Por isso, de resto, a “disposição para a violência”, objecto de escândalo, constitui um fenómeno capitalista geral, que de modo nenhum se limita aos jovens com ascendência migrante, como em parte se sugere no discurso mediático.

Perante a dificuldade em simplesmente expulsar as pessoas que pouco ou nada têm a ver com o seu “país de origem” ou que são mesmo cidadãos alemães, como Koch exigia inicialmente, faz-se agora ouvir o apelo ao campo de concentração, que tem uma longa história na sociedade burguesa e uma história particular na Alemanha, como é sabido. Por isso ultimamente dão pelo nome apologético de “camp”, o que, no entanto, torna necessário um imediato distanciamento dos EUA e dos seus “bootcamps” (1). Prefere afinal em alemão? A CDU propaga como modelo o “trainingcamp” do Norte do Hesse do ex-pugilista Lothar Kannenberg. A concepção desta “organização de ajuda aos jovens”, segundo o seu inventor desenvolvida “de forma intuitiva”, consiste em oferecer aos residentes, além de ordem, exercício e desportos marciais, também o “calor e aconchego” de uma associação masculina que lhes tem faltado. Quanto às carreiras que se oferecem aos que de lá saírem é legítimo especular.

 

O facto de Roland Koch ter acabado por não ter qualquer sucesso com a sua propaganda na campanha eleitoral, tendo pelo contrário de sofrer uma derrota eleitoral que lhe marcou a carreira, segundo a apreciação geral deve ser relacionado com a circunstância de ele ter apostado nos medos errados. A classe média alemã, que se define pela escola secundária e cujos votos a CDU perdeu, tem outros medos: numa reacção ao “choque PISA anual” e ao medo da concorrência a ele ligado, ela própria louca de um modo imanente ao sistema, e que faz pouco de todos os conhecimentos da psicologia da aprendizagem e do desenvolvimento, foi imposto aos seus filhos um ensino secundário com menos um ano, mantendo-se o mesmo número total de horas e o mesmo programa de estudos. O mesmo conteúdo em menos tempo, ou, o que vai dar no mesmo, mais matéria por ano ou por semana, porventura acompanhado de um maior número de alunos por turma e uma maior carga horária para os professores, ou seja, mais alunos por professor: assim é que vamos mostrar aos finlandeses e aos coreanos com quantos paus se faz uma canoa. “Mais barato e melhor”: este credo de eficiência empresarial proclamado, por exemplo, pela senadora do ensino da cidade-estado de Hamburgo, Alexandra Dinges-Dierig, na sua tomada de posse deverá voltar a pôr o sistema escolar alemão nos eixos.

Só que isso não funciona. Poder-se-ia dizer: esta tentativa de reorganização do ensino secundário de acordo com os princípios da vulgar empresa capitalista fez as contas sem o valor-dissociação, que é o pressuposto de qualquer valorização do capital. As crianças e jovens ameaçados de a seguir ficarem supérfluos na sociedade, e sobrecarregados com um horário semanal de trabalho de 40/50 horas, contando o horário escolar e os trabalhos de casa, destituídos de qualquer refúgio, reagem em massa com sintomas de stress como indigestões, dores de cabeça e insónias. E as famílias da camada média, cuja função no fundo consiste em ganhar resistência ao stress do trabalho mantendo-o do lado de lá da porta, são obrigadas a trazê-lo para o interior das suas quatro paredes através da necessidade de em comum darem resposta às exigências escolares.

A queixa sobre o “roubo da infância”, entretanto por várias vezes exposta a este propósito mesmo em órgãos neoliberais como a SPIEGEL e o FAZ, torna claro que já nada que seja imanente ao sistema funciona: por um lado, a organização do sistema escolar, orientada já apenas por modelos input-output da economia empresarial, resulta do medo de ficar atrás dos outros na concorrência capitalista global. Por outro lado, já está a ser apreendido o perigo real de que este sistema produza finalistas que – atingidos pela síndrome de burnout ainda antes de terem abandonado o ensino – nunca terão qualquer utilidade como força de trabalho capaz de concorrer.

 

A falta geral de perspectivas, a viagem comum para o abismo, para a qual supostamente não existe alternativa, conduz a movimentos de fuga de toda a espécie, aos quais aderem cada vez mais também as cenas de crítica do capitalismo. Porque não pode ser o que não é suposto, a ilusão substitui-se à análise crítica. Tal como já os grupos m-l nos anos setenta transformavam qualquer greve em luta revolucionária de uma tal classe operária, que já então não existia, confunde-se à força a mais pequena resistência, devida à simples necessidade de sobreviver na concorrência capitalista, com uma luta tendente à transformação do sistema. A “multitude” manda cumprimentos. Quem, porém, a título de fundamentação, não queira renunciar às bênçãos superiores da crítica da economia política de Marx, terá de recorrer a algum contorcionismo teórico.

 

John Halloway no livro “Mudar o mundo sem tomar o poder” apresenta um exemplo destacado deste tipo de processo (vd. Crítica Robert Kurz, Exit 4, p. 87-89). Se Holloway se refere aí no IV capítulo, afirmativa ainda que insuficientemente, ao conceito de fetiche de Marx, um capítulo depois substitui-o completamente pelo conceito de “fetichização”, entendido já só do ponto de vista da teoria da acção. Aqui se subentende que o fetiche da mercadoria tem de ser constituído sempre de novo pelas acções dos indivíduos ligados à mercadoria e ao dinheiro, o que está certo. Mas é ocultado ou negado o movimento inverso, em conjunto com o qual apenas se pode desenvolver a dialéctica de todo o processo, ou seja, a retroacção do fetiche e das acções nele constituídas (vd. o artigo de Eske Bockelmann nesta revista) sobre os que agem sob os efeitos dele e a sua fixação nas estruturas do sujeito burguês e das instituições da sociedade burguesa profundamente marcadas pelo valor-dissociação. Segundo Holloway, o fetiche encontra-se confrontado com seres humanos, os quais acabam por ser afectados por ele apenas de forma exterior, e que na sua imediatez também poderiam agir de outra forma completamente diferente, e alguma vez teriam de o fazer, simples e finalmente. Assim também uma criança, que deita a mão aos doces expostos junto à caixa de um supermercado sem pensar em pagá-los, pode transformar-se num sujeito revolucionário. É de perguntar como conseguiu então a forma das mercadorias manter-se tanto tempo. Aqui é bem patente que a ideia nasceu do desejo de se poder livrar do capitalismo de maneira fácil. Ou inversamente: o valor utilitário de uma semelhante teoria consiste exclusivamente em fingir que uma determinada praxis imanente do processamento da contradição foi desde sempre anti-capitalista.

Stefan Meretz e Ernst Lohoff apresentaram na Krisis 31 uma tentativa paralela em tudo similar. A cena que com isso deverá ser servida é a ideologização do “movimento de software livre” que dá pelo nome de “Ökonux”. Aqui se defende há algum tempo a ideia-desejo (em linhas um pouco mais gerais em www.keimform.de) de que o capitalismo produziria nas costas dos seus sujeitos “o novo no velho”, novo que poderia ser assumido sem modificações na sociedade libertada, ou até que esta poderia mesmo ser trazida por via da difusão sem luta daquele novo. Segundo esta peça da teoria da estrutura, que se contrapõe ao operaismo, nem sequer é necessária uma modificação consciente do agir, que no máximo terá de ser adaptado de forma flexível em cada momento às concepções tecnológicas mais recentes; resta apenas a tarefa de procurar “o novo”, tarefa já cumprida com êxito com a descoberta do “free software”, mesmo se este entretanto se tornou o modelo de negócio de conglomerados empresariais que actuam à escala global. Consequentemente esta ideologia, em relação por exemplo à concorrência que agora mesmo se desenvolve entre o Google e a Microsoft pela supremacia na Internet, teria que ver “o novo” na empresa que coloca os seus produtos à disposição de forma gratuita e se financia com receitas de publicidade, e “o velho” na outra, que cobra licenças aos seus utilizadores; e assim teria de enxergar nas batalhas das global players em torno das aquisições hostis a eterna luta entre o bem e o mal.

Vai quase de si que a tentativa empreendida na Krisis 31 de relacionar e respaldar esta ideologia com a crítica da economia política tem por consequência contorções ainda maiores do que as que estão à vista em Holloway: Para tal tiveram de ser inventados os chamados “bens universais”, que seriam “bens pagos” mas já não seriam mercadorias, porque não são trocados, mas apenas colocados à disposição em cópia. Esta rabulística lançou na confusão antes de mais os seus próprios protagonistas, pois a questão de “se os bens universais, como bens não-de-troca e portanto como não-mercadorias, podem apesar disso possuir a forma da mercadoria (…) não se encontra resolvida” entre eles (Krisis 31, p. 55, nota de pé de página 3); uma questão que tem por pressuposto o evidente disparate de uma diferença essencial entre “ser mercadoria” e “ter a forma da mercadoria”. Ficamos ansiosos pelo esclarecimento, ao qual talvez venha a ser dedicado o próximo número da Krisis. Para um confronto mais detalhado com esta novíssima viragem de uma “crítica do valor” que se desenvolve correndo atrás de uma praxis imanente ao capital, ver a contribuição de Robert Kurz neste número da nossa revista.

 

A resenha sumária aqui empreendida dos conflitos sociais do processamento imanente da contradição, que deflagraram entre Dezembro de 2007 e Fevereiro de 2008 e com igual rapidez voltaram a desaparecer no fosso mediático, mas de modo algum ficaram resolvidos, deveria ser de molde a ilustrar que a teoria crítica da sociedade estaria perdida se cedesse à tentação de reduzir a zero a distância conceptual e tomasse partido por uma ou outra das partes em conflito. O nosso contributo, ou seja, o contributo de uma praxis teórica para o revolucionamento da situação vigente, pode apenas consistir em continuar a desenvolver, sem vacilar, no seu próprio terreno, a nova crítica do capitalismo, e com ela a "desintegração dos conceitos" dos velhos paradigmas, que ainda falta muito para estarem despachados (cf. a Carta Aberta “Uma era glacial para a teoria crítica?” publicada no seguimento deste Editorial).

 

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A saída comparativamente célere do presente número da revista deve-se a um aprazível afluxo de artigos que a redacção, porém, só em parte logrou coordenar. Para além do tema A camada média e o ser-se supérfluo, que constitui o tema-charneira previsto para este número, é particularmente a Naturalização das relações sociais, usada para justificar tudo e mais alguma coisa, que é sujeita a uma análise crítica sob diversos pontos de vista.

O artigo de abertura é “A síntese no dinheiro: natureza da Idade Moderna. Uma resposta à pergunta de Sohn-Rethel sobre a relação entre a forma da mercadoria e a forma do pensamento” de Eske Bockelmann, que constitui um resumo da sua volumosa obra “Ao compasso do dinheiro. Sobre a génese do pensamento moderno”. Ao contrário do livro, porém, o presente texto debate-se explicitamente com Alfred Sohn-Rethel, que tem o mérito de ter sido o primeiro a colocar a questão da dependência da forma do pensamento relativamente à forma da mercadoria, sem conseguir ir além de uma “intelecção meio intuitiva”, do que ele próprio tinha perfeita consciência. As razões para as respostas insuficientes de Sohn-Rethel à sua correcta questão residem, por um lado, na sua ideia de uma transferência consciente do pensamento lógico-conceptual a partir da troca de mercadorias e, por outro, numa imprecisão histórica com que ele equipara a antiguidade grega e o início da Idade Moderna, tanto relativamente à filosofia como no que ao papel social do dinheiro diz respeito. A resposta de Bockelmann à questão de Sohn-Rethel distingue-se nos seguintes pontos: É apenas a socialização através do dinheiro como representante do valor absoluto, que começa a tomar forma no início do século XVII, que abre caminho ao pensamento funcional como uma forma de que os seus portadores não têm consciência e que lhes surge como natural, a qual caracteriza unicamente a Idade Moderna.

 

No centro do tema planeado está o ensaio “Ser-se supérfluo e a ‘angústia da camada média’. O fenómeno da exclusão e a estratificação social no capitalismo” de Roswitha Scholz. Trata-se de uma problemática essencial para a teoria crítica do valor-dissociação que até à data ficou na penumbra: Qual a relação da crítica do contexto de forma abstracta capitalista e dissociação com a análise das situações sociais e as suas mutações? Partindo de um resumo da história da exclusão social na modernidade, o enfoque incide, por um lado, sobre uma discussão com a sociologia de entre guerras e do pós-guerra e suas teorias sobre os primórdios da “sociedade da camada média”. Por outro lado, Scholz, numa passagem crítica pela crítica do valor até agora existente, chama a atenção para os seus deficits relativamente à estratificação social e à exclusão. A necessária crítica ao paradigma da luta de classes da ontologia do trabalho não pode significar referir-se apenas ao plano da abstracção da forma do valor e do “indivíduo abstracto” para partir de uma “desclassificação de toda a gente” na crise. Quando a análise não penetra sistematicamente as camadas sociais e a sua dinâmica, também a crítica da ideologia circunscreve-se ao contexto do fetiche geral. As posições de interesses específicas ficam obnubiladas precisamente quando hoje as camadas médias são cada vez mais acometidas de medos da despromoção social e quando a crítica do valor (à semelhança do que acontece doutro modo com a reformulação do paradigma da luta de classes) ameaça degenerar sorrateiramente em uma ideologia de crise da camada média. Aqui é essencial, não em último lugar, a análise crítica do contexto de “camada média e relação de género” e “camada média e migração”.

O processamento ideológico do fenómeno da exclusão no capitalismo também desempenha um papel no estudo de Christian Mielenz “Como os coelhos. A biologização e a naturalização dos fenómenos modernos, analisada no exemplo da teoria maltusiana da sobrepopulação”. Nele, o autor debate-se com o maltusianismo que continua a grassar como outrora e contra o qual já Marx e Engels polemizaram. Esta ideologia, como tanta outra coisa que se auto-proclama ciência, é o resultado da loucura que agora também surge em ligação com a debate do clima, que admite que se recorra a tudo e qualquer coisa como causa para esclarecimento dos problemas do modo de produção capitalista, menos esse próprio modo de produção, que continua um ponto negro também para grande parte das chamadas ciências sociais. O maltusianismo explica a moderna pobreza de massas com a afirmação biologizante de que os homens se multiplicam tão rapidamente que a produção de alimentos não pode acompanhar esse crescimento. Mielenz demonstra no exemplo do pauperismo, na Alemanha entre 1830 e 1850, que esta tese contradiz todos os dados empíricos que, por isso, têm de ser e são negados ou mal interpretados. Completamente fora da consciência do problema de tal teoria tem de permanecer a pergunta sobre os critérios com base nos quais é aferida a quantidade dos alimentos produzidos como mercadorias.

 

O ensaio “O desvalor do desconhecimento. ‘Crítica do valor’ truncada como ideologia de legitimação de uma neo-pequena-burguesia digital” de Robert Kurz já saiu no ano passado na homepage da EXIT! em versão electrónica. A prática habitual de disponibilizar na Internet um texto de cada número da EXIT! foi neste caso antecipada para melhor intervir na actualidade. A crítica polémica deste texto dirige-se, por um lado, contra a fundamentação ilusoriamente “político-económica” de uma ideologia digital alternativa que grassa na cena “crítica do valor”. Aqui é central o conceito dos chamados “bens universais” no espaço virtual, que supostamente já estão “para lá da forma da mercadoria”. Este constructo é fundamentado na ideologia da circulação, com um entendimento truncado da substância do valor e da relação de equivalência, entendimento que repousa nas ideias de “troca justa” de uma neo-pequena-burguesia digital. Por outro lado são apresentadas as consequências sociais desta “ideologia da praxis” que se quer pragmática, que levam a uma virtualização da crítica e se opõem à produção de conteúdos culturais e teóricos. Como acontece com a ideologia alternativa em geral, também a sua versão digital ameaça flanquear a administração capitalista da crise, uma vez que as condições da crise socialmente colocadas são assumidas como “positivas”. O texto pode ser lido nesta edição da EXIT! como exemplificação da crítica geral de Roswitha Scholz às ideologias de crise da camada média. Os avanços que se fizeram ouvir, vindos da fauna do costume, no sentido de não divulgar este texto porque a EXIT! ficaria “desacreditada”, só nos deram vontade de rir. Na edição em papel do texto já publicado electronicamente foi acrescentado um novo prefácio e intercalados subtítulos.

 

No seu artigo “Sade, próximo de quem?” Anselm Jappe trata do culto do Marquês de Sade, fortemente difundido desde o período entre as duas guerras, e sobretudo desde os anos sessenta, nos círculos intelectuais franceses que se têm por “transgressivos”, “subversivos” ou simplesmente críticos. Mas ele também já há muito tempo que deu entrada na cultura “oficial” até às mais altas esferas. Dão a deixa para este culto não só George Bataille e os surrealistas, mas também autores menos conhecidos na Alemanha como Maurice Blanchot ou Annie le Brun. As exposições de Adorno e Horkheimer sobre Sade na Dialéctica do Iluminismo, pelo contrário, não tiveram praticamente qualquer eco em França. O presente artigo pretende fazer uma abordagem crítica deste culto, fornecendo assim uma pequena “violação das regras” da “violação das regras” autorizada. Os escritos de Sade não justificam minimamente qualquer culto. No entanto, uma vez que Sade, como um dos primeiros “escritores negros da burguesia” (Adorno/Horkheimer), propagandeou abertamente o cariz supérfluo do ser humano e a aniquilação do objecto, as suas obras podem ser lidas como símbolo profético da Modernidade e daquilo em que nela entretanto se transformaram o sujeito, o objecto e o desejo. O texto foi traduzido do original francês pelo próprio autor.

 

Knut Hüller, na sua glosa “Do sujeito esclarecido à inteligência de formigueiro”, atira-se ao discurso da moda sobre a inteligência do formigueiro, no qual já Robert Kurz se detivera no fim da sua contribuição, e que mais uma vez consiste em transferir por via directa, e com toda a seriedade, um questionamento com origem na biologia – ou seja, a questão dos mecanismos que tornam o formigueiro capaz de funcionar – para problemas da sociedade humana. A questão que autenticamente se impõe, nomeadamente como deve estar constituída uma sociedade para que semelhante transferência possa ser considerada possível, pelos vistos fica arredada deste discurso.

 

Na sua recensão “Sobre o difícil relacionamento com Rosa Luxemburgo”, Udo Winkel confronta-se com a colectânea de ensaios “Rosa Luxemburgo e a arte da política” de Friga Haug, cujo rabo de palha político fica patente na expressa referência a Gramsci, mas que não deixa de trazer à luz do dia alguns resultados interessantes. As dificuldades consistem em que – como em Marx – a ocupação com Rosa Luxemburgo do ponto de vista actual não pode ter por objectivo a actualização aparente de uma época historicamente passada, mas a busca de antecipações que apontem para o futuro. E, sob este ponto de vista, continua a ser proveitosa a leitura dos seus escritos.

 

A actual auto-apresentação do projecto EXIT! “Crítica do capitalismo para o século XXI: Com Marx para além de Marx”, publicado como pequena brochura em Setembro de 2007, ainda está disponível em grande número. Pode ser pedida para divulgação ulterior (por exemplo, exposição em bancas de livros, etc.) em Verein für kritische Gesellschaftswissenschaften, Am Heiligenhäuschen 68, 67657 Kaiserslautern ou por email enviado para o endereço bestellung[at]exit-online.org .

 

Claus Peter Ortlieb pela redacção da EXIT!

Fevereiro de 2008

 

(1)           Masoquistas e todos os que tenham pretensões a tanto poderão inscrever-se voluntariamente, mesmo na Europa e, já agora, contra pagamento. Podem encontrar-se facilmente na Internet anúncios do género: “Bootcamp. Vivenciar um dia de exercício e disciplina de ferro. Reserve já aqui!”.

 

Original EXIT! Heft 5 erscheint im April 2008 in: www.exit-online.org  

 

ÍNDICE

 

 

EM MEMÓRIA DE ANDRÉ GORZ

 

 Uma Era Glacial para a Teoria Crítica?  - Robert Kurz; Janeiro de 2008 Deutsch

Carta aberta aos interessados e interessadas na EXIT!

 

Eske Bockelmann

SÍNTESE NO DINHEIRO: A NATUREZA DA IDADE MODERNA

Resposta à questão de Sohn-Rethel sobre a relação entre a forma da mercadoria e a forma do pensamento

 

Roswitha Scholz

SER-SE SUPÉRFLUO E A "ANGÚSTIA DA CAMADA MÉDIA"

O fenómeno da exclusão e a estratificação social no capitalismo

1. Introdução: "Situação de classe", exclusão específica de uma ou outra camada ou desclassificação geral de todos? Eis a questão, hoje! 2. O fenómeno de ser-se supérfluo no capitalismo até ao fim do século XIX - breve resumo 3. A "sociedade nivelada pela camada média" 4. Individualização para lá da classe e da camada? 5. A destruição da "nova classe média" e os "novos independentes" precários 6. O fetiche da luta de classes 7. Luta sem classes? 8. O último estádio da classe média 9. A sociedade da camada média e o género 10. A sociedade da camada média e a migração 11. A exclusão como problema fundamental do capitalismo – da Idade Moderna até hoje, passando pela "socialização nivelada pela camada média" 12. Algumas observações sobre o debate das ciências sociais acerca da exclusão social e da "vulnerabilidade social" nas camadas intermédias 13. Socialização de classe média, exclusão e forma social do valor-dissociação.

 

Christian Mielenz

COMO OS COELHOS

A biologização e a naturalização de fenómenos modernos: o exemplo da teoria maltusiana da sobrepopulação

1. A teoria maltusiana 2. Evolução da população e produção de alimentos na Alemanha entre 1800 e 1850 3. Conclusão: Nem teoria maltusiana, nem teoria "da industrialização"

 

Robert Kurz

O DESVALOR DO DESCONHECIMENTO

"Crítica do valor" truncada como ideologia de legitimação de uma neo-pequena-burguesia digital

1. Da crítica do valor à ideologia de cena digital 2. A "irmã da mercadoria" e a Internet como "máquina de emancipação" 3. Forma da mercadoria, substância do valor e reducionismo da ideologia da circulação 4. "Troca justa" e relações de uso capitalistas 5. A alma da mercadoria em acção: Do "bem de pagamento pouco sério" ao anti-semitismo estrutural 6. Produção de conteúdo, custos capitalistas e "reprodutibilidade sem trabalho" 7. Trabalho produtivo e improdutivo no conjunto da reprodução capitalista 8. A caminho de uma ontologia do trabalho secundária 9. O carácter relativo a toda a sociedade da substância do valor e a ideologia do capital "produtivo" e do capital "rapinante" 10. A desvalorização universal e a teoria dos estádios duma emancipação simulatória 11. Universalismo enganador e exclusão social. A ideologia alternativa digital como Eldorado dos homens da camada média transformados em donas de casa 12. O ponto de vista do idiota do consumo virtual 13. A auto-administração da miséria cultural 14. A expropriação dos produtores e produtoras de conteúdos como abnegação social e ressentimento 15. Térmitas e formigas azuis. A biopolítica da "inteligência de formigueiro" digital 16. A Realpolitik do depauperamento exercida pelos pretensos Kapos da administração da crise cultural.

 

Anselm Jappe

SADE, PRÓXIMO DE QUEM?

 

Knut Hüller

DO SUJEITO ESCLARECIDO À INTELIGÊNCIA DE FORMIGUEIRO

 

Udo Winkel

SOBRE O DIFÍCIL RELACIONAMENTO COM ROSA LUXEMBURGO

 

http://obeco.planetaclix.pt/

http://www.exit-online.org/